quinta-feira, 9 de dezembro de 2010

Saudade sem fim...




Alcalinas. Palavras em teus braços dispersas.
Alcalinas. Sílabas de âmbar em tormento.
Alcalinas. Letras gastas, controversas.
Alcalinas. Declamadas em movimento.
.
As saudades.
.
Alcalinas
Saudades que duram
e duram
até à

frágil
e----x----p----l----o----s----ã----o

da noite interminável
que parece nunca
querer morrer

em mim.


Saudade e dor sem fim.



sexta-feira, 22 de outubro de 2010

Sangue inflamável





Ceifas as pálpebras,
esmagas o céu escarlate
com a timidez oblíqua
num vaso esquartejado.
.
O campo adormece-te na pele,
a noite nasce-te da boca
em flutuação irrespirável
para lá do firmamento refractário.
.
Arrancas a neblina da aragem
que absorve a corrente de ar
nos rodados enlameados
pela força motriz
de um beijo relâmpago.
.
Ninguém te ouve serenar
para lá do último hectare
regido por sonhos
que os herbicidas teimam
em querer aniquilar.
.
Dilatas as pupilas nas mãos,
abres as portas do rosto,
e no pátio da voz
sopras a imagem do fruto
que amadurece na língua da tua árvore.
.
Acendes um cigarro
com o enxofre do fósforo
humedecido na alma.
.
Lentamente deixas-te embalar
pelo desnível da pastagem
folheada pela saudade.
.
O granizo apedreja-te os sentidos
e tu receias a escuridão.
.
Por isso trago comigo um candeeiro
cheio de sangue inflamável
que te iluminará para sempre
em todos os mundos em que te sinto!



rainbowsky

domingo, 10 de outubro de 2010

Saudade, dor e amor...


Duas da manhã.
Sem saber quando vou parar de escrever.
Sem saber se algum dia teus olhos lindos
irão ler cada palavra.
O sono deixou de vir.
Arde no peito a saudade que tenho na tua ausência.
O silêncio continua a dilacerar-me as entranhas.
amordaça-me o peito, rasga-me a carne, faz doer,
numa dor sem fim.
.
No banco de trás
está ainda o teu cheiro,
o sabor do teu corpo
que deixa sedentos os meus lábios,
nesta ânsia infinita de ter-te nos meus braços,
merbulhar no fundo de ti e amar-te com todas as forças
do amor intemporal que sinto.
.
Não foram apenas momentos de prazer,
mas um intenso despertar do amor mágico que senti...
e quero acreditar que na tua pele e nas tuas entranhas
treme ainda o desejo, de fazer verdadeiramente amor,
e não o sentimento de ter sido algo sem sentido.
Acreditar que na verdade achaste e sentiste mágico e inesquecível
como eu senti.
.
Arde-me o corpo, nesta crescente saudade
de sentir-te, de tocar-te, de beijar-te, acarinhar-te
e fazer de ti a mais perfeita das flores
fecundadas pelos sentimentos mais puros.
.
Este respirar de tristeza de não poder sentir-te nesta noite gélida
que me atravessa a alma e o coração...
sem poder dizer-te que por mais profunda que seja a mágoa
é muito maior este amor impossível de esquecer
ou aniquilar...porque és príncipio e fim,
e estás no meio de tudo onde te amo para lá da eternidade.
.
As lágrimas correm pela face,
a vida passa-me diante dos olhos
e eu sinto falta do abraço forte de domingo à tarde
que me limpou as lágrimas
e que eu nunca mais queria que partisse,
e queria abraçar agora.
.
A cabeça explode de amargura.
No banco de trás permanecem ainda os presentes que restam
e nem tive oportunidade de te oferecer.
O livro "Um anjo chamou por mim",
porque queria demonstrar-te
que se eu era o anjo que te despertara para a vida,
também jamais deixaria de te guardar no mundo;
Hoje sei que apesar da dor infinita, serei sempre esse anjo que pedirá por ti,
que velará o teu sono e protegerá a tua alma
das intempéries, mesmo que me esqueças para sempre.
.
Olho o espelho, imagino o colar de ametistas dando ainda mais cor à tua beleza,
alimentando ainda mais o teu sorriso que sempre me deixou a respiração aos saltos.
.
Dois frascos serenam num pequeno saco de fita vermelho escuro.
Aloe vera e água do mar, óleos de massagem.
Olho as minhas mãos vazias da tua pele sedosa,
imagino-as deslizando em silencio, ondulando ternura em cada gesto.
O corpo em transe, a flutuação, a leveza, a calma, tranquilidade e amor
em cada toque eneérgico e suave na ponta dos dedos.
.
Adormeço e acordo,
grito e gesticulo.
Dói e volta a doer a solidão.
Este amor que as minhas mãos e o meu corpo possuem
e não podem transmitir.
.
Não sei se a incógnita é ainda algo que possa pensar.
Vejo-me dor e dor, e no silêncio não ouço a tua voz,
não há um gesto, não há um sopro, nã há uma luz
que ilumine a minha alma afogada na escuridão da tua ausência.
.
Perco-me, só.
Penso se continuo a invadir a tua casa e a entrar nos teus sonhos,
ou se me esqueceste de vez, contrariando as palavras
com que me dizias ser impossível.
.
E nada me resta
senão a dúvida de ser algo, pot muito ínfimo que seja,
ou se é apenas a minha estupidez que tem esperança em ser o que quer que seja,
não querendo acreditar que não seja absolutamente nada de nada.
.
E rasga-se tudo. A voz que me falta para gritar esta infindável tortura,
o tacto para poder tocar teu corpo e amar-te,
o olfacto para poder cheirar tua pele doce,
a audição que me permita ouvir um amo-te que era apenas sonho
e que provavelmente nunca tenhas sentido por mim...
o paladar de saborear-te por dentro e por fora,saborear teu beijo
e teu riso, teu interior ardente e teu exterior arrepiado.
.
A chuva cai no vidro do carro.
Desta vez estou só. Apenas o pensamento e o amor que sinto
te mantêem por perto.
O chão está coberto de lama,
o campo de futebol está vazio
e é avassalora a calma e a solidão.
.
Tenho frio.
Não ouço o teu gemido, não consigo fundir-me em ti
para te dizer que te amo além do tempo, das palavras, de tudo,
para além do céu, da terra, do mar, da chuva, das estrelas, do universo.
Os vidros não estão embaciados, e não posso desenhar-te o meu coração em chamas
que derrete em cada segundo que te sinto em mim,
nas profundezas do meu coração.
.
Fecho os olhos,
ouço o vento bater no vidro ligeiramente aberto.
Morro de tédio, morro sem ti.
Aqui nada acontece.
Aqui estou eu, só, sem ti.
.
Foges de mim,
foges sem parar.
.
Das rosas que te dei (se ainda existirem) guardas as lágrimas que verti sobre as pétalas
da tristeza que senti.
A noite veio mais depressa, as horas passaram e eu permaneci só.
.
Falaram-me de competição num impulso,
mas nao consigo reagir a esse tipo de gesto.
O amor para mim não é uma competição, nem tão pouco insulto ou devaneio.
O amor é um espaço só:
dois corações fundidos,
dois corpos unidos,
duas almas entrelaçadas,
lábios em uníssono,
num olhar musical.
.
Rodopio nos sentimentos.
Enlouqueço na tua ausência.
Os meus olhos talvez não sejam lindos,
meu corpo talvez não seja esbelto,
meu rosto talvez não seja bonito,
meus sentidos talvez não sejam perfeitos...
mas há em mim uma indestrutível certeza: que sinto,
que pressinto, que me move, me alimenta:
de amar... o amor da minha vida.
.
O pescoço dói submerso na falta de luz,
as costas dormentes não recebem beijos,
o resto de mim é apenas deserto sem toques de ti.
.
A magia teria ainda mais magia,
havia diversas surpresas para a noite mais perfeita,
e então vieram as garras da noite
cortar-me o peito de forma selvagem.
.
Fiquei imóvel horas a fio
no mesmo banco onde tanto me movi antes.
Preso à angústia infernal, sufoquei.
A música de fundo não paráva.
Eu estava, tu não.
.
Vim embora.
Nunca a noite tivera tantas estrelas.
Nunca eu sentira tanta dor.
Eram fogo no céu queimando-me por dentro e nunca mais adormeci.
.
Nos meus sonhos os pesadelos sucedem-se.
O muro alto voltou a atormentar-me.
Afogo-me, morro, desespero.
Estico as mãos na esperança da tua mão.
O pesadelo é ainda maior.
Morria sem saber que podiam salvar-me.
Agora morro sem ti.
Talvez já não morra da água, talvez morra apenas
da dor.
.
Cravo a mão no peito sobre o coração.
O peito dói na ansiedade que não pára.
O copo de água e o círculo que tomo já não me acalmam
mesmo quando aumento a dose.
Pericardite, penso.
E tento esquecer os corredores vazios,
o negro da noite que outrora me aterrorizava.
.
Dói cada vez mais a cada segundo que passa.
Nada faz sentido sem ti.
.
Vou fechar o vidro, ligar o carro e voltar a casa.
Deitar a cabeça na almofada e gritar em silêncio.
Sou morcego sem tecto, peluche sem abraço,
esqueleto sem corpo onde sentir conforto.
.
O verbo sonhar é cada vez mais profundo,
a incógnita ou não significa nada,
ou talvez um dia ainda saiba,
por entre as raízes do silêncio
e os abismos da saudade
aquilo que sou.
.
Talvez um dia o amar-me que existe
apenas não sei, se revele.
Desistir? Nunca, nunquinha!
.
Por entre toda a mágoa qu me dilacera penso na luz,
rezo por ti.
Porque maior que a dor de nao te abraçar
doi-me mais imaginar a dor que te fustiga a cabeça
e as dificuldades que aumentarão.
Já nem penso na dor do coração, porque me importa mais
rasgar-te essa dor, afastar o enjoo e a nausea,
abraçar-te em silencio, de perto, ao longe...
tocando, imaginando, mas sempre amando.
.
Porque por muito que me magoes, por muito que me possa doer sem fim,
nada me doi mais do que saber da tua dor, entrar dentro de mim.
Se pudesse ficava com toda a tristeza, com toda a mágoa, toda a angustia,
todo o medo que sentes e qualquer tipo de dor.
Sou apenas nada, e não importaria, se algo permitisse saber-te
em qualquer momento feliz.
.
Do amor que sinto,
não me importo que Deus me faça carregar todos os suplícios.
Se trocaria qualquer fortuna do mund por ti,
também suportaria qualquer dor para te ver sorrir.
.
E amo-te de olhos fechados,
de cabelos curtos ou alongados,
na noite ou no dia,
na ternura ou na dor,
porque amo em qualquer situação.
Na ternura, num espaço de loucura,
fofinha... num suspiro,
num toque da tua mão
que amo de forma igual.
.
Por agora permaneço nada, no nada que sou.
Vazio, solitário, triste, num mundo onde nada faz sentido,
mas onde sei que dás sentido a tudo
porque és o meu princípio sem fim, estás no meio de tudo
e amo-te onde as palavras não chegam,
onde os gestos não tocam,
onde eu sinto
e sei
que pode acabar o mundo,
pode criar-se outro,
vás onde fores, estejas onde estiveres,
amor da minha vida,
serás para sempre
o tudo que preciso
porque
SEM TI...
nada tenho!

Amo-te.

03:h 51m
10-10-2010

Saudade...

Duas da manhã.
Sem saber quando vou parar-
O sono deixou de vir.
Arde no peito a saudade que tenho na tua ausência.
O silêncio continua a dilacerar-me as entranhas.
amordaça-me o peito, rasga-me a carne, faz doer,
numa dor sem fim.
.
No banco de trás
está ainda o teu cheiro,
o sabor do teu corpo
que deixa sedentos os meus lábios,
nesta ânsia infinita de ter-te nos meus braços,
merbulhar no fundo de ti e amar-te com todas as forças
do amor intemporal que sinto.
.
Não foram apenas momentos de prazer,
mas um intenso despertar do amor mágico que senti...
e quero acreditar que na tua pele e nas tuas entranhas
treme ainda o desejo, de fazer verdadeiramente amor.
.
Arde-me o corpo, nesta crescente saudade
de sentir-te, de tocar-te, de beijar-te, acarinhar-te
e fazer de ti a mais perfeita das flores
fecundadas pelos sentimentos mais puros.
.
Este respirar de tristeza de não poder sentir-te nesta noite gélida
que me atravessa a alma e o coração...
sem poder dizer-te que por mais profunda que seja a mágoa
é muito maior este amor impossível de esquecer
ou aniquilar...porque és príncipio e fim,
e estás no meio de tudo onde te amo para lá da eternidade.
.
As lágrimas correm pela face,
a vida passa-me diante dos olhos
e eu sinto falta do abraço forte de domingo à tarde
que me limpou as lágrimas
e que eu nunca mais queria que partisse,
e queria abraçar agora.
.
A cabeça explode de amargura.
No banco de trás permanecem ainda os presentes que restam
e nem tive oportunidade de te oferecer.
O livro "Um anjo chamou por mim",
porque queria demonstrar-te
que se eu era o anjo que te despertara para a vida,
também jamais deixaria de te guardar no mundo;
Hoje sei que apesar da dor infinita, serei sempre esse anjo que pedirá por ti,
que velará o teu sono e protegerá a tua alma
das intempéries, mesmo que me esqueças para sempre.
.
Olho o espelho, imagino o colar de ametistas dando ainda mais cor à tua beleza,
alimentando ainda mais o teu sorriso que sempre me deixou a respiração aos saltos.
.
Dois frascos serenam num pequeno saco de fita vermelho escuro.
Aloe vera e água do mar, óleos de massagem.
Olho as minhas mãos vazias da tua pele sedosa,
imagino-as deslizando em silencio, ondulando ternura em cada gesto.
O corpo em transe, a flutuação, a leveza, a calma, tranquilidade e amor
em cada toque eneérgico e suave na ponta dos dedos.
.
Adormeço e acordo,
grito e gesticulo.
Dói e volta a doer a solidão.
Este amor que as minhas mãos e o meu corpo possuem
e não podem transmitir.
.
Não sei se a incógnita é ainda algo que possa pensar.
Vejo-me dor e dor, e no silêncio não ouço a tua voz,
não há um gesto, não há um sopro, nã há uma luz
que ilumine a minha alma afogada na escuridão da tua ausência.
.
Perco-me, só.
Penso se continuo a invadir a tua casa e a entrar nos teus sonhos,
ou se me esqueceste de vez, contrariando as palavras
com que me dizias ser impossível.
.
E nada me resta
senão a dúvida de ser algo, pot muito ínfimo que seja,
ou se é apenas a minha estupidez que tem esperança em ser o que quer que seja,
não querendo acreditar que não seja absolutamente nada de nada.
.
E rasga-se tudo. A voz que me falta para gritar esta infindável tortura,
o tacto para poder tocar teu corpo e amar-te,
o olfacto para poder cheirar tua pele doce,
a audição que me permita ouvir um amo-te que era apenas sonho
e que provavelmente nunca tenhas sentido por mim...
o paladar de saborear-te por dentro e por fora,saborear teu beijo
e teu riso, teu interior ardente e teu exterior arrepiado.
.
A chuva cai no vidro do carro.
Desta vez estou só. Apenas o pensamento e o amor que sinto
te mantêem por perto.
O chão está coberto de lama,
o campo de futebol está vazio
e é avassalora a calma e a solidão.
.
Tenho frio.
Não ouço o teu gemido, não consigo fundir-me em ti
para te dizer que te amo além do tempo, das palavras, de tudo,
para além do céu, da terra, do mar, da chuva, das estrelas, do universo.
Os vidros não estão embaciados, e não posso desenhar-te o meu coração em chamas
que derrete em cada segundo que te sinto em mim,
nas profundezas do meu coração.
.
Fecho os olhos,
ouço o vento bater no vidro ligeiramente aberto.
Morro de tédio, morro sem ti.
Aqui nada acontece.
Aqui estou eu, só, sem ti.
.
Foges de mim,
foges sem parar.
.
Das rosas que te dei (se ainda existirem) guardas as lágrimas que verti sobre as pétalas
da tristeza que senti.
A noite veio mais depressa, as horas passaram e eu permaneci só.
.
Falaram-me de competição num impulso,
mas nao consigo reagir a esse tipo de gesto.
O amor para mim não é uma competição, nem tão pouco insulto ou devaneio.
O amor é um espaço só:
dois corações fundidos,
dois corpos unidos,
duas almas entrelaçadas,
lábios em uníssono,
num olhar musical.
.
Rodopio nos sentimentos.
Enlouqueço na tua ausência.
Os meus olhos talvez não sejam lindos,
meu corpo talvez não seja esbelto,
meu rosto talvez não seja bonito,
meus sentidos talvez não sejam perfeitos...
mas há em mim uma indestrutível certeza: que sinto,
que pressinto, que me move, me alimenta:
de amar... o amor da minha vida.
.
O pescoço dói submerso na falta de luz,
as costas dormentes não recebem beijos,
o resto de mim é apenas deserto sem toques de ti.
.
A magia teria ainda mais magia,
havia diversas surpresas para a noite mais perfeita,
e então vieram as garras da noite
cortar-me o peito de forma selvagem.
.
Fiquei imóvel horas a fio
no mesmo banco onde tanto me movi antes.
Preso à angústia infernal, sufoquei.
A música de fundo não paráva.
Eu estava, tu não.
.
Vim embora.
Nunca a noite tivera tantas estrelas.
Nunca eu sentira tanta dor.
Eram fogo no céu queimando-me por dentro e nunca mais adormeci.
.
Nos meus sonhos os pesadelos sucedem-se.
O muro alto voltou a atormentar-me.
Afogo-me, morro, desespero.
Estico as mãos na esperança da tua mão.
O pesadelo é ainda maior.
Morria sem saber que podiam salvar-me.
Agora morro sem ti.
Talvez já não morra da água, talvez morra apenas
da dor.
.
Cravo a mão no peito sobre o coração.
O peito dói na ansiedade que não pára.
O copo de água e o círculo que tomo já não me acalmam
mesmo quando aumento a dose.
Pericardite, penso.
E tento esquecer os corredores vazios,
o negro da noite que outrora me aterrorizava.
.
Dói cada vez mais a cada segundo que passa.
Nada faz sentido sem ti.
.
Vou fechar o vidro, ligar o carro e voltar a casa.
Deitar a cabeça na almofada e gritar em silêncio.
Sou morcego sem tecto, peluche sem abraço,
esqueleto sem corpo onde sentir conforto.
.
O verbo sonhar é cada vez mais profundo,
a incógnita ou não significa nada,
ou talvez um dia ainda saiba,
por entre as raízes do silêncio
e os abismos da saudade
aquilo que sou.
.
Talvez um dia o amar-me que existe
apenas não sei, se revele.
Desistir? Nunca, nunquinha!
.
Por entre toda a mágoa qu me dilacera penso na luz,
rezo por ti.
Porque maior que a dor de nao te abraçar
doi-me mais imaginar a dor que te fustiga a cabeça
e as dificuldades que aumentarão.
Já nem penso na dor do coração, porque me importa mais
rasgar-te essa dor, afastar o enjoo e a nausea,
abraçar-te em silencio, de perto, ao longe...
tocando, imaginando, mas sempre amando.
.
Porque por muito que me magoes, por muito que me possa doer sem fim,
nada me doi mais do que saber da tua dor, entrar dentro de mim.
Se pudesse ficava com toda a tristeza, com toda a mágoa, toda a angustia,
todo o medo que sentes e qualquer tipo de dor.
Sou apenas nada, e não importaria, se algo permitisse saber-te
em qualquer momento feliz.

.
Insónia atormenta-me
mas por entre a minha fragilidade
sou uma força da natureza
que a tempestade nao derruba,
que a dor não tomba,
e que nada fará desistir.
.
Do amor que sinto,
não me importo que Deus me faça carregar todos os suplícios.
Se trocaria qualquer fortuna do mund por ti,
também suportaria qualquer dor para te ver sorrir.
.
Por agora permaneço nada, no nada que sou.
Vazio, solitário, triste, num mundo onde nada faz sentido,
mas onde sei que dás sentido a tudo
porque és o meu princípio sem fim, estás no meio de tudo
e amo-te onde as palavras não chegam,
onde os gestos não tocam,
onde eu sinto
e sei
que pode acabar o mundo,
pode criar-se outro,
vás onde fores, estejas onde estiveres,
amor da minha vida,
serás para sempre
o tudo que preciso
porque
SEM TI...
nada tenho!

Amo-te.

terça-feira, 5 de outubro de 2010

Dor

-
-
-
Sou um anjo que despertou para a vida?
Não.
Sou tudo para ti?
Não.
Lindo?
Não. Horrível.
Capa de jornal?
Não. Só um estúpido sonha assim.
Carinhoso?
Não. Apenas qualquer coisa sem sabor.
Fofinho?
Não. Apenas um esqueleto inútil.
Olhos lindos?
Só se for noutro planeta.
Amor da vida de alguém só que apenas ainda não sei?
Não. Agora sei. Não sou absolutamente nada.
Dizes amo-te porque me amas?
Não, amar um idiota não interessa.
Incógnita?
Não, agora já sei.
.
Não sou amor da vida,
nem anjo salvador...
apenas vazio...
mágoa e dor..
.
Sou?
Nada.

segunda-feira, 20 de setembro de 2010




Quando me deito sobre os lençóis frios a tua ausência é maior que o escuro que invade o quarto. Nos teus olhos há uma jangada que flutua na tempestade. Eles andam sobre as ondas, trémulos, receosos. Tuas mãos tremem, teu coração palpita, sente. Mas com o sentir há uma seta feroz que faz caminhar devagar. O sol desce sobre as colinas ao fim da tarde, as tuas pálpebras fecham-se quando a noite já vai alta, mas diferem da tranquilidade quando se voltam a abrir a meio da noite, e um zumbido nos ouvidos de uma voz que sacode a alma de tão volátil e agreste que é. Há uma penumbra e um nevoeiro no caminho que sabes e queres seguir mas tens receio de falhar os passos, medo de falhar os rochedos certos para não caires no abismo. Medo de cair da muralha. Medo de perder a pedra mais preciosa do mundo, irrequieta, a tua paixão mais pura e genuína. Tudo é tão complicado, o céu é pontuado de estrelas mas os dedos entrelaçados são um perfume que se conjuga muitas vezes no singular quando desejamos estar perto, quando queremos estar juntos e não é possível. Mas há um sinal que não se pode esquecer: O amor. E os meus olhos tinham amargura. E eu vivia na minha solidão. E não conhecia os teus olhos. Mas sabia que existias. Estavas no meu céu. Via o teu brilho. Perguntava à estrelinha: - És tu meu amor? Aparece, fala-me de ti. E um dia vi-te. E nesse dia falaste-me sem sequer imaginares que me falavas. E eu senti. E eu vi. E eu sinto. E eu vejo. E eu quero. . As noites são frias. Os medos tão grandes. Mas a esperança, infinita. Quero-te e sei que me queres. Levanta-te... dá um passo... de tiveres de recuar um para avançar dois fá-lo. Estou, estarei sempre de mão estendida à tua espera. Espero, Espero... Tenho medo que desistas. . Ouço os murmúrios irrequietos que povoam a tua alma. Tens asas, conseguirás voar, mas receias não conseguir abrir-las no primeiro voo. . As estrelas estão sempre no céu mesmo quando as nuvens e a penumbra teimam em não deixá-las visíveis. Assim como elas, também não consegues ver-me por vezes mas estou mesmo ali. . O teu desejo de atingir um sorriso supremo é grande, o teu desejo de ser feliz é extremo o desejo de mudança é certo. A tua cabeça gira a mil à hora. És como um atleta de saltos para a água que tem vestigens. Ora avanças sobre a prancha ora recuas, e a cada vez que ficas indecisa o pânico cresce, a prancha parece mais pequena e a altura cada vez maior!!! . As consequências, essas interrogações que fazem tremer o coração levando-o à inércia fazendo-o sofrer ainda mais. É como uma bola de neve, inocente, pequenina, leve que se atira de um lado para o outro e faz sorrir numa brincadeira. Depois rola, aumenta: assusta. As mãos tapando os ouvidos para não morder a voz que chora. . Mas há um guerreiro no mais íntimo lugar secreto que te compõe. Dá-te força, mantém-te viva, dá-te esperança. Só precisa que o tires das masmorras interiores e o deixes guiar-te sem temer. . Os muros são altos? Eu serei mais alto para estar perto de ti. A distância é muita? Eu farei uma ponte com os meu braços para te ter junto de mim. Há espinhos? Serei rosa vermelha para tingir de vida o teu corpo gelado pelo receio. Há curvas sinuosas? Serei um guia que acompanhará os teus passos trilhando a teu lado até à libertação. Fechas os olhos e choras copiosamente num momento de solidão que ninguém vê e apetece-te desistir. Apetece-te largar o mundo? MAs então há dois mundos que precisam e querem que sejas o seu universo. Um é mais pequeno e chama-te doce o outro é maior e chama-se ternura. Um deles é ele, o outro sou eu. . Sento-me num banco de jardim. No rio a água não corre para me lavar o rosto, mas eu naufrago na saudade mesmo sem barco nem água. Tenho os lábios secos, com sede de ti. . Atravesso o caminho envolto pelas árvores sorrateiramente. Fico perto. Olho o céu mais uma vez. Brilhas. . Há no meu peito um amor inquebrável. Um medo intenso de te perder, mas uma certeza absoluta de que não perderei. . Há no teu peito um amor inquebrável Um medo intenso de me perderes e ainda outros que conheço e consigo sentir quando te olho e os vejo de forma tão transparente e visível perante o que és e o que sinto. E não me perderás. . Deitas a cabeça na almofada, sou estrela que te observa pela janela: nua. . Eu vejo-te, e não me desiludo. E não fujo E gosto de ti, porque és tu. E eu amo-te como és. Puxas o lençol sobre o corpo e adormeces. Ajeito-o melhor. Ilumino-te. Não deixo que haja mais escuridão e afasto a que aparecer. . Ao teu medo junto o meu. Da minha certeza absoluta que nunca me fartarei de ti, que nunca deixarei de te amar que nunca desistirei. E rezo, e peço ao teu coração que nunca se farte, que nunca desista, que nunca desistas. Que a vontade é maior que qualquer medo! Que nada conseguirá vencer este amor infinito porque nada conseguirá ser mais poderoso nem resistir-lhe! . Que somos almas gémeas que uma vez juntas nada nem ninguém separará. . Diz-me que somos como um só ser. E que um único ser nunca pode dissolver-se. . Sente como eu sinto, e juntos como um só triunfaremos com o nosso amor. . Desistir? Nunca, nunquinha! . O medo diluir-se-á e será apenas uma lembrança que fortalecerá a cada dia esse amor intemporal...! . Entrego-me a ti. Fica comigo porque eu já te pertenço. . Contra todos os medos: merecemos.

terça-feira, 24 de agosto de 2010

Ponto de luz

video

As pestanas enraivecidas
transbordam do relógio oculto
que esconde os olhos amargurados,
desmaiados num lago
que naufraga no barco da dor.
.
Criei raízes profundas de sentimentos
que alimentaram a minha esperança,
resgatando-me do abismo trémulo,
onde passava horas a sofocar-me
na precisão do quartzo louco.
.
Renasci no teu sorriso de céu,
vi-me no brilho das tuas estrelas,
ouvi-me na tua carne doce,
respirei-me no toque da tua pele;
senti-me no paladar das tuas mãos,
sucumbi de desejo nos teus abraços,
dissolvi-me de felicidade
no inesquecível instante de amar-te.
.
Hoje respiro a secreta ternura
que deambula entre a mágoa
e a paixão avassaladora
que permanecerá para sempre.

.

Não sei mais como erguer este coração de cristal estilhaçado, frágil, indomável.
.
Não sei como adormecer sem o ponto de luz,
único e insubstituível,
que és na sombra minha vida.


rainbowsky

segunda-feira, 16 de agosto de 2010

Viver às escuras





Num fundo azul as bolas explodem
presas pelos arames dos meus tornozelos.
Tenho um olhar alienígena nos traços da face
amordaçado ao fim de cada segundo.
.
Alta tensão em cada frágil despertar.
.
As baias perfuram a malha da pele,
as estrelas são poeira no colarinho ensanguentado;
a noite esconde os olhos rendados
de um corpo que não sabe dançar.
.
Apagão.
.
Fecho os olhos devagar.
Não espero abri-los novamente enquanto doer.
.
Terei de viver eternamente às escuras?



rainbowsky

sexta-feira, 4 de junho de 2010

Ausência fatal




Amêndoas de papel
delicadas sobre o mel
à procura das palavras
que absorvam o silêncio
que manténs.
Suave veneno,
comprimido transpirado,
roda flutuante
num rumo destroçado,
um amargo na boca
lábios de feno
num rosto distante,
uma chama louca,
um vazio
inebriante.
Doçura volátil,
dispersa,
comovente...
Amalgama de luz
versátil,
submersa,
ausente.
Perto de um sol amarrotado,
um sopro gelado
desta dor infernal,
o sabor do sangue
feito de sal;
as viagens de saliva
naufragando no umbigo,
conectado contigo
até ao infinito.
Agora é azul celeste,
coração que chora
(agreste),
espinhos de saudade
interminável,
deste amor imenso
e infindável.
.
Uma seta atinge-me,
tinge-me de vermelho
a roupa cortada,
alma dilacerada...
.
Estás ao meu lado
mas a tua ausência
é-me fatal!

segunda-feira, 15 de março de 2010

Desenho-te





Traço no papel. A lápis de carvão.
Corro os sentidos que me incentivam
a moldar-te, a oxigenar celulose,
para que esta não sufoque
na saudade
da tua ausência.
.
No caderno ventricular
acedo à vertigem.
Lanço-me do arco
que o rubi da tua beleza
marcou com silêncios
no toque - maresia transparente.
.
Deixo o compasso sobre a mesa.
Ouso fechar os olhos na ponta dos dedos,
e percorro-te assim.
.
Afasto a borracha.
porque não preciso corrigir os sentidos.
Tacteio os teus lábios na minha mente,
feitos à medida
da seda da tua pele.
.
Não preciso de lápis de cor.
Para os teus olhos naufrago nas areias do deserto,
aos teus cabelos rasgo os céus
e sorvo nas mãos a cauda de um cometa
como se bebesse
o eco
do teu peito intergaláctico.
.
Desenho-te sem papel.
.
Rasgo as sombras da lua na parede inquieta.
Desinquieto-me ao pensar-te.
.
Bebo a tua voz.
Ouço o perfume dos teus lábios.
Cheiro o som dos teus passos.
Abro o licor arrepiado na tua nuca.
.
Pressiono mais forte
Para um traço de nuvens em tempestade.
Giro a bússola no queixo
e sigo a este e a oeste pelos ombros
que devoram cansaços
em noites sem dimensão.
.
Comprometo-me a gravar o timbre.
Entro em acordo com as pernas delicadas
para que me mostrem em seus passos
a forma em que a chuva cai;
ou a melhor berma flutuante onde subir
a língua em dialectos de rimas.
.
Fecho as portas do castelo.
Incendeio as varandas seculares
ligadas a um prumo afiado na coluna vertebral.
Acendo tochas com o fogo das minhas memórias
que fizeram parte do degelo
na intempérie dos teus poros radioactivos.
.
Desenho-te como nunca te olhei,
porque olho a teia
que a aranha dos teus gestos
construiu na tua alma pintada de negro.
.
Componho sons no eco da temperança,
calibro a balança onde adormeces
para que aquilo que sentes hoje
não sofra uma metamorfose ávida de segredos.
.
Não sei mais desenhar-te
sabendo que tenho de parar um minuto que seja
para aniquilar o cansaço.
.
A orquestra celular rendiriza-te,
grava-te em reflexos de flores de álcool
que submergem num coral de cedros
esculpidos com a tua imagem.
.
O mundo olha-me a olhar-te.
Sobrevivo ao naufrágio do poema.
Sobrevivo ao sismo cerebral.
suporto o furacão da tua doçura.
Suporto a vaga de calor da tua sede.
.
Reanimo-te do desmaio após o choque frontal
entre o meu ego e o teu.
.
Assino a minha obra prima
com a aguarela das tuas lágrimas tingidas pelo vazio.
Coloco a data em que a solidão veio visitar-me,
na espera de encontrar-te em livro.
.
Astuto
revelo a minha identidade
ao itálico das letra com que te começo,
porque nunca te acabo.
.
És obra-prima
que nenhum museu algum dia conhecerá.
.
Construo-te.
Redimensiono-te.
Exploro.
Crio.
Reafirmo.
Realço.
Sublinho.
Amplio.
Dou cor.
E sabor.
.
Mastigo bolas de naftalina
para que a traça não me consuma.
Sou a página anterior
e a seguinte ao teu corpo.
Sou dois braços envolvendo-te
num livro que criámos.
.
Da essência sabemos o infinito
sem palavras.
Das letras sabemos a ordem e a desordem
centrifugadas num círculo à margem do mundo.
.
Ao desafio respondi.
À provocação marquei o duelo.
Na hora precisa tornei o teu rosto
num western mais veloz.
.
A corda cede.
Sobrevivo à fogueira
e à guilhotina da saudade.
.
Crio um épico no teu peito.
Janelas amplas,
paredes de sonhos,
tecto de confiança,
porta sem chave.
.
Faço-te Primavera,
Faço-te Verão,
Faço-te Outono,
E faço-te Inverno...
Para que saibas
que em qualquer estação
sou um comboio sem apeadeiro
para uma partida ou um regresso:

- Quando te desenho
é pela alma que te meço.

(Saudades que são impossíveis de medir, tristeza infindável)

quarta-feira, 10 de março de 2010

Insónia

Este silêncio da noite
e o bater acelerado do coração...

Saudades de ti.

segunda-feira, 8 de março de 2010

Mulher, mundo!





Mulher, mundo.

Em teus braços acordo mesmo sem te ter
em teus olhos espelho mesmo sem te ver
no meu corpo moras para eu poder viver.
.
És do céu e do mar em infinito.
És da terra quente uma paixão doce que grito
És do sol e da lua o brilho mais bonito.
.
Em ti me perco mulher, mundo.
Que nem o infinito é tão profundo
como este amar-te a cada segundo.
.
És mulher, mãe, avó, tia, amiga, prima...
Coração em cada gesto, em cada rima...
Anjo eterno em cada verso que sublima.
.
Em ti vejo a força, a determinação e o viver
Mesmo quando me esqueces quero-te querer
Porque te amo mesmo sem saber.
.
Mulher mundo, mulher amor, mulher desejo...
Mulher do meu peito, da respiração em cada beijo
Te ame cada ser do mundo como eu te vejo!


rainbowsky


(Dedicado a todas as mulheres do mundo, porque além do oxigénio há o perfume, uma grande mulher em cada coração que sente verdadeiramente o amor... com infinitude! E a ti em especia... minha estrela...)

terça-feira, 2 de março de 2010

A carta



Há apenas o silêncio e uma noite dolorosamente escura. Para lá das montanhas
um espaço violeta faz rascunhos no céu que se pinta de estrelas - invadem os
meus olhos como as bolas de naftalina que existem no roupeiro que fiz à medida
para a alma. Mas ela é de um tamanho imensurável e explodi no grito da tua
ausência.
Esqueceste-me ou queres ingorar-me para me magoar sem que eu saiba porquê. Não
sei construir impérios e jogos de estratégia são como uma selva indecifrável
que me ata com força à loucura.
Pergunto-me vezes sem conta a razão para me sorrires da tua foto que pendurei
na parede - aquela que tirei à muito tempo - quando o santuário acalmando o
meu coração tinha a voz de fundo dentro de mim, e o porquê de ser agora, não
mais que um simples verme perdida na lama?
OS dias amontoam-se e fazem buracos no corpo como se disparasses uma arma de
calibre destrutivo e se pudesse vislumbrar através do meu corpo a paisagem e
o céu azul; o vento e as nuvens correndo para longe.
O mar ondula com marés vivas, águas poderosas contra as rochas que olho com
nostalgia, incrédulo, sem esperança. As noites são cada vez mais frias e a
brisa marítima que me entra pelas narinas tem uma magia negra que me provoca
náuseas e me deixa desmaiado na areia.
A luz do farol apagou-se. Viajo num barco, à deriva de mim. Sou passageiro
único de uma viagem que parece não ter fim. Essa viagem a que chamam saudade
é muda, cega e surda. Não tacteia a minha pele nem sinto o seu perfume. Mas
o coração apertado dói. Imenso.
Às vezes penso que o amor me trouxe a sina da crueldade. A paixão rompeu o meu
sossego, mas deixei de conseguir morder os lábios doces com a ternura das horas
mais harmoniosas. Por isso grito do alto das falésias, mas o meu grito é
demasiado ferido para se ouvir.
Descobri que estou cada vez mais sozinho. Que perdi em todas as palavras o
sentido que poderia ter a vida na sua plenitude. Já não posso voar. Apenas
uma asa me sai das costas e vislumbro o abismo cada vez mais amplo. Não há
janelas no meu quarto, mas também deixei de ver o luar.
Hoje sei que não sou amado por ninguém. Vivo com as intempéries que me vão
secundando nas minhas palestras ao espelho. Nesses momentos tudo está ainda
mais ao contrário, e a luz ténue vai fugindo...
-

-
-

quarta-feira, 24 de fevereiro de 2010

Tempestade no coração




Querendo a aguarela
respirar-me na tempestade celeste
saciavam-se com pétalas de fogo

e areia fina em chuvisco
e vertendo insalubres

e penetrantes rasgos de memória
aqueles olhos onde a raiva esculpia

sombras de madeira
jamais planeadas na rota

mais fria do meu rosto.
.
O gesto oco da voz

que incidia na omoplata florida
submergia num sorriso irónico

que o vento teimava em sacudir
perante o som de pregos de aço

martelados entre os dedos
como se eu esperasse a redenção

das folhas onde escrevi
palavras que nunca lembro

nos momentos em que te sonho.
.
Sei de cor que foram muitas

as vezes que me deixaste amargurado
com as sílabas que foste proferindo

em dias de intempéries
ou mesmo quando o sol escarlate

tombava sem receio sobre o mar
eu sentia o chamamento

da fina película de óleo nas ondas
que me incendiava os poros

na esperança que surgisses na tela.
.
Não se ouvia mais nada

para lá das muralhas em ruínas tristes
Onde silenciosamente

teimavam em pousar as gaivotas viajantes
Fui-me perdendo nas horas

onde o quartzo nunca foi sugerido
para manter um rigor de horas

minutos e segundos elegantes.
.
Gélida a tempestade no coração.
.
Mesmo querendo emoldurar

a saudade nunca saberei pintá-a
porque é impossível descobrir

a dimensão que ela tem!
Como não tem dimensão
tudo aquilo que és
e tudo o que sinto por ti.
-
-
-

terça-feira, 23 de fevereiro de 2010

Pesca(dor)



.
Coloquei o aquário sobre o tapete grande e vermelho da sala.
Lançei a cana de pesca do positivismo que ganhei durante
toda a minha vida(um pequeno rasgo de vida) e sentei-me
à minha espera. Sem isco, sem voz, perdi-o todo de uma só
vez num segundo maldito e isso foi um rombo demasiado grande
na minha existência para não naufragar ao largo de mim mesmo,
pois espalharia os vidros pelo tapete e os peixes morreriam
com a mesma sede com que pescava sem anzol aquela dor.
.
Gostava de pescar a minha inocência de quando não era infeliz,
mergulhar nas águas e nadar com as raias e cumprimentar os tubarões,
mesmo que eles insistissem em seguir-me depois de lhes dizer
adeus. No fundo, tornar-me pescador que sorri quando regressa
a casa, depois de um dia que começa mesmo antes do sol nascer;
ser como os anjos que habitam as águas e deliram com a luz nos
corais. Descobrir porque choro, quando a vida foi feita para sorrir,
e lançar as redes para o jardim cheio de pétalas perfumadas.
.
Sinto tanto a tua falta.
Preciso tanto de ti.
-
-
-

quinta-feira, 18 de fevereiro de 2010

Amargura e dor

-
-
-
É uma dor
que não tem tamanho.
Não dá para descrever...
.
É uma solidão tão imensa
que nenhum infinito
Poderia descrever.
.
É uma amargura
que me arrasta pelas sombras
Tão escuras que não dá para descrever.
.
É uma desilusão tão cruel
que me rasga o coração
E em que é tão difícil viver!

domingo, 14 de fevereiro de 2010

Amor da minha vida...



-
-
São Valentim
Vou falar-te deste amor sem fim
para que sejas testemunha
do que sinto dentro de mim..
.
É sobre uma estrela
uma flor.
.
Voo nas asas de um sonho
que alimento com este imenso querer
do qual nunca vou desistir
por muito que possa doer.
.
Que já dizia o poeta:
"Não posso adiar
Ainda que a noite pese séculos sobre as costas
E a aurora indecisa demore
Não posso adiar para outro século a minha vida
Nem o meu amor
Nem o meu grito de libertação

Não posso adiar o coração"
.
.
Olho o céu cinzento,
em dias de estrelas
e em dias de chuva.
.
Sou assim.
Podes levar de mim o que quiseres.
Não te peço nada em troca:
tudo e nada só o teu coração pode dizer.
.
Silenciosamente
guardo uma amargura,
desilusão que não dá para esquecer,
mas nunca irá para longe...
o amor que sinto por ti.
.
Por mais que me perca
Hei-de lutar por ti até morrer.
.
Que a esperança é a minha companheira de viagem,
e com ela hei-de ver-te e sentir-te
em qualquer mundo, em qualquer rio,
em qualquer margem.
.
O amor é um sentimento
que nunca terá fim!
Vou amar-te sempre no meu peito
Mesmo que estejas longe de mim.
.
Que é eterno este desejo,
este amor quente e verdadeiro.
Hoje? Hoje queria um beijo...
.
Desço o apeadeiro
e desaperto o laço.
Está frio...
Quero o teu abraço.
.
Há uma luz que ilumina
todas as noites a minha almofada
Estás sempre comigo
mesmo num deserto onde não haja mais nada.
.
Que aqui: no coração
O estaleiro continua montado...
És a minha paixão
E não vou desistir do amor
nem deixar a obra a meio
e fugir para outro lado.
.
Há uma brisa que vem de mansinho
tocar-me o rosto
em que corre um fio de cristal fino
que desce dos olhos.
.
No barco que é a vida
Iço as velas do barco
e procuro-te... procuro-te... procuro-te...
nos sete mares...
em todas as galáxias!
.
Que esta busca de querer-te
nunca terá fim!!!
Pois és já todo o meu mundo
que vive dentro de mim!
.
Amei-te ontem
Amo-te hoje
Amar-te-ei sempre.
.
GRITO:
ESTRELAAAAAAAAAA
AMORRRRRRRRRRRRR
mesmo que não
me
ouças
por cada letra que leste
estive a dizer-te
o quanto és para mim.
.
Sou como as ondas do mar
~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~
~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~
Podes ver-me
Podes partir
sem se te despedires de mim
Mas quando voltares
Vou receber-te
com a mesma magia de ondas
em que vieste ver-me
noutras noites
noutros dias
noutro luar.
.
Que o mar é imenso
e a espuma é infinita!
Tu és a flor, o anjo denso,
a doce e bonita.
.
Fecho os olhos mais uma vez.
Abro-os e fixo-os nos teus.
Dou-te a mão mesmo que não saibas.
.
No momento em que choras
abraço-te sem saberes
para te confortar...
.
Mesmo quando me olhas mais friamente
fico a palpitar
pois penso no teu imenso sorriso
que é impossível de esquecer.
.
Que venha a mágoa bater-me à porta!
Que venha a dor espreitar-me à janela!
Que venha a desilusão entrar-me pela chaminé!
Que venha a amargura amordaçar-me o coração!
.
Sou como um gladiador:
Resisto até ao fim!
.
Não posso adiar o amor!
Não vou adiar o coração.
.
Desistir? Nunca! Nunquinha!
.
Ser como a estação de partida
ou o apeadeiro para um regresso...
que sejas sempre parte da minha vida
é o único trajecto que te peço!
.
Amo-te.
-
-
-
(Para o meu anjo...)

quinta-feira, 11 de fevereiro de 2010

A maior dor



-
A maior dor seria a solidão que sinto

sem ti,

mas nada me dói mais
do que saber da dor que sentes,
mesmo que não penses em mim.

.

Amo-te.
.
.

quarta-feira, 10 de fevereiro de 2010

Magia...




Saudades da magia

sob um céu de estrelas

num lugar só nosso...

.

Hoje apenas amargura

A solidão sob o mesmo céu,

onde fico a olhar

as mesmas estrelas

com a magia ausente.

.

E um rio corre pelo rosto.

Sem fim.

domingo, 7 de fevereiro de 2010



Saudades de ver as estrelas,
saudades da estrela do meu luar...
queria tanto voltar a vê-las
junto do meu anjo com tanto amar.
.
Se eu pudesse descrever
tudo aquilo que sinto por ti...
.
A saudade não pára de crescer
mas a solidão não me deixa
para que eu te possa ver.
.
Há a mágoa e a tristeza,
e também a desilusão...
mas sem me zangar, mais forte a beleza
com que te amo do coração.
-

sexta-feira, 5 de fevereiro de 2010

A magia de um sonho...



Escolhi um lugar tranquilo para te amar interrompido somente pelas ondas do mar,
misturando o sal na tua voz. Sentados, confortáveis, meditávamos em silêncio
como almofadas e as pernas cruzadas em lótus..
Respirávamos calmamente, relaxando, sentido a brisa marítima.
Cada expiração um desejo, cada gesto uma atenção redobrado sobre os corpos.
Os pés em contacto com a areia fina, cansados da caminhada sobre a espuma.
Sentiamos cada pedaço do vento. Sentia cada pressão interior da tua alma,
os teus olhoares difusos, progessivamente mais brilhantes e misteriosos.
Eu sentia. tu sentias. Deixei que tudo te captasse a atenção e vibrasses
como as algas à tona da água. Os meus dedos passeando na tua face.
Fazer desse momento um momento de prazer. Os corpos estabelecendo um primeiro contacto,
felizes por sentir o luar mergulhado na pele- outra tinta para a casa da vida, a íris?
Não formulámos palavras, sentimos apenas.
A pouco e pouco o contacto com as demais partes do corpo através das estrelas,
agradecidos pelo seu calor, pela sua genuína atenção.
.
Os corpos despidos sobre a areia inundada de espuma da paixão.
Um elo, um calor, um suspiro, um arrepio deslizando como néon aceso pela seda,
uma outra forma de suor, de prazer, delimitando os contornos de ambos so seres
que habitamos, que sentimos, que conhecemos( outras vezes nem tanto)...
e buscamos o espírito do céu, a loucura de cada gemido que a terra solta.
.
O perfume do teu interior fluindo para as rochas,
arrebatando-se num flash de suprema ternura e satisfação.
Um desabrochar, um levitar de prazer infindável;
inolvidável, como a luz do farol que ao longe rompe o nevoeiro
e mergulha na imensidão dos barcos que flutuam sobre espelhos de água.
.
No instante seguinte o teu sorriso mais aberto, mais puro, suave, mais perto,
o abraço das anémonas à volta do meu corpo humedecido,
do meu peito colado aos teus seios de olhos fechados dormindo em silêncio.
Desce a maré até ao umbigo, cresce a noite, o sono e as pálpebras cerradas,
já os meus dedos mergulham na gruta funda e húmida tocando a areia molhada.
.
Outras curvas se desvendam ao fundo das tuas costas suaves, salpicadas por tiras de cabelo
junto aos ombros, como portas semi-abertas para entrar como um fantasma
e esconder-me nos finíssimos fios e esperar o dia seguinte
sem que a prata da lua caia na totalidade sobre a ondulação.
.
Adormecidos na areia, amando também a sonolência tranquila,
sonhamos perdidamente de mãos dadas, como gaivotas no seu voo
ligadas pelas asas inconfundíveis do desejo e da felicidade.
.
Também a praia dorme.
Somente as ondas continuam, limpidamente, secretamente,
subindo a areia,
tentando tocar o teu corpo,
mas onde a única onda sou eu
e o mar ali tão perto, é o meu coração junto do teu...
.
A magia de um sonho...

terça-feira, 2 de fevereiro de 2010

Desassossego




Ouço o ruído da gravilha,
as células que se fecham
na curva melancólica
onde sou aguardado
com encanto
desesperado.
.
É absoluto o tumulto,
o demónio
atravessado na solidão.
.
Ouço a gravilha melancólica
que bate no vidro
o explodir das células
na plenitude de um manto
maior que o meu corpo.
.
A curva do demónio
engloba-me,
a solidão marca o meu desassossego...

domingo, 31 de janeiro de 2010

Lua



-
Fogem-me tantos instantes
que nao consigo contá-los quando fecho os olhos
e sobrevoo o silêncio.
.
Tenho medo do escuro ( do escuro da alma)
quando marco as horas de acordar
e ecoo num instante diferente.
.
As palavras deambulam pelo meu corpo
em horas perdidas.
.
Hoje o relógio move-se
por bermas de triângulos
que me permitem ouvir o perfume:
- Lua, sabes-me dar volta!Sim!

Sabes o quanto a estrela me faz falta.

.

- Amanhã vou entrelaçar-te
na minha voz

para que grites comigo

esta saudade intensa!

terça-feira, 26 de janeiro de 2010

Amar em silêncio


-
-
Afasto a cortina do vidro da janela.
As estrelas já brilham no céu
e a saudade imensa da maior de todas
acumula-se a cada dia que passa.
.
Respiro fundo.
.
Sou forte. Fico quieto
para não causar problemas com a luz
que recebes nos teus olhos doces.
.
Guardo no coração tudo o que sinto por ti.
Olho-te de mansinho todos os dias
quando nem te apercebes
e percorro a tua face com as minhas pupilas.
em vez de te acariciar com os dedos.
.
Abraço-te sem te tocar.
Sem te dizer que me amargura quando te vejo
assim.
.
Mas tenho esperança
que o céu volte a sorrir nos teus lábios.
.
Amo-te em silêncio,
porque nem sempre as palavras ou os gestos
podem amar tão verdadeiramente
como ama a voz silenciosa do coração.
.
Na noite fria sou anjo que adormece ao teu lado
sem saberes.
.
É em silêncio.
Mas sempre o meu olhar se cruza com o teu é isso que te quero dizer:

- Amo-te.

sábado, 23 de janeiro de 2010

O susto




O susto de ontem à noite
foi como uma nuvem
a indicar-me o caminho do abismo.
Mas resisti, RESISTO!
.
A saudade aumenta a cada segundo.
A solidão dói-me no peito.
Preciso de ti.
.
Falta-me a tua luz
para iluminar este mundo escuro.
.
Porquê? Porquê?
Queria tanto ouvir-te dizer de novo:
Inesquecível.
.
E a mesma certeza de sempre:
Nunca vou desistir
do amor da minha vida!
-
-

quinta-feira, 21 de janeiro de 2010

Desejo

Hoje apenas queria uma coisa:
.
O amor da minha estrela.
Saudades.

terça-feira, 19 de janeiro de 2010

Momentos




Há momentos
em que é preciso parar um segundo
para que seja possível dar força
ao futuro.
.
Há momentos
em que é preciso respirar fundo,
afastar dos pensamentos a tristeza
e dar ao coração a vitalidade
que ele precisa
para positivamente
conseguir...
.
Conseguir dar a mão,
ficar mais em silêncio,
não pressionar;
abrir os olhos para o mundo
com esperança infinita.
E a conquista dos sentimentos
será ainda mais forte.
.
Há momentos
em que é preciso ouvir sem dizer nada,
abraçar sem tocar,
sentir sem beijar,
apoiar sem pressionar,
amar sem dizer;
.
Há momentos
em que é preciso ser um guerreiro
com a mente
em vez de usar o coração assustado,
porque todas as batalhas na vida
servem para nos ensinar
alguma coisa - inclusive aquelas em que erramos.
.
É o momento de me concentrar
nos momentos em que se conseguiu sorrir
(estrelas testemunhas)
- Essa força ajudar-me-á a conseguir.
.
Abro o coração ao Universo
e peço a Deus para me guiar,
para me inspirar.
.
Há momentos em que é preciso força e dar força
determinação e incentivar,
ser paciente e compreender
sem pedir nada em troca.
.
Podemos viver com ansiedade à flor da pele,
mas nunca desistir é o caminho.
.
O amor mais forte
é aquele que pode passar por momentos de fragilidade.
.
Aívou querer sorrir,
porque quando as estrelas brilham no céu,
juntos,
não há tristeza que não se possa terminar,
nem mundo que não possamos alcançar.
.
Momentos?
Hão-de ser infinitudes:
com um brilho nos olhos.
.
Veremos muitas vezes as estrelas.

sábado, 16 de janeiro de 2010

Frio de Inverno


-
Arrisquei estar perto de ti,
querer que a solidão não fosse tão grande
- Apoiar-te.
.
O risco no horizonte existia
e na minha consciência estava bem presente.
Assustava-me e deixava-te nervosa.
Ainda assim segui o caminho.
Insisti, insisti...
E o meu apoio apenas trouxe
problemas.
.
Custa-me adormecer
com este sentimento.
.

O sol parece agora mais ténue;
dos meus olhos cravejados de estrelas
nascem apenas as gotas
que se vão derramando em todos os minutos.
.
A saudade de ti aumenta a cada instante.
Fico em silêncio.
Não quero magoar, não quero,
nunca quis.
Falta-me o teu beijo.
.
Chove lá fora.
A noite cai cinzenta.
Penso em ti.
Não dizes nada
mas eu amo-te cada vez mais.
.
Estou triste,
mas a amargura existe
para ser combatida.
Vou lutar,
lutar,
lutar...
.
Os olhos brilham
porque és a estrela que me ilumina.
No peito sinto-te:
- Amor da minha vida.
.
Estarei sempre contigo.
.
Não vou desistir.
.
Mas é tão frio... este frio de Inverno
sem o teu abraço.

segunda-feira, 11 de janeiro de 2010

Inflamável



-

O corpo gelado

a alma treme com o frio glaciar.

O coração palpita acelerado,

Custa respirar.

.

Nesta amargura

sou frágil folha de papel

que se estilhaça

com as lágrimas

que teimam em ficar

.

Um gelo inflamável

arde-me no peito:

- Saudade.

-

sexta-feira, 8 de janeiro de 2010

Estrada



É tão sinuosa esta estrada
que atravesso contigo,
mas há-de tornar-se uma balada
e ter-te comigo.
.
A luta é diária,
a esperança dá-me forças
e Deus está presente.
.
Tenho fé
e é a luz que me ilumina
nas noites mais escuras
que fará do teu coração
uma estrela ainda mais brilhante
para o mundo.
.
As dolorosas amarguras
que te assolam o peito
hão-de chegar ao fim.
As barreiras vencer-se-ão!
.
E estou sempre contigo.