terça-feira, 17 de novembro de 2009

Preciso



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As horas brilham,
cantam-me sobre o amor.
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Chove lá fora
tem de haver outra forma
de demolir as torres de espuma
que me separam de um dia bem melhor.
.
A noite é para mim
de um frio cortante,
há um instante
em que percorro
todas as ruas a respirar-te
para ver se te encontro os lábios,
ao fechar os olhos
e fingo que estás mais aqui
apesar de estares sempre comigo.
Tenho o corpo como uma folha de papel:
a chuva fragiliza-me.
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Não me apetece abrir os olhos.
Preciso dos teus lábios
para iluminarem a escuridão da minha alma.
.
Preciso tanto...
De ti...
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quarta-feira, 11 de novembro de 2009

A razão



Preenches espaços que ficam entre uma
e outra chávena de café.
O aroma que me fica na língua
depois de humedecer os lábios
fala-me nas horas que passo
à procura da tua voz.
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Envias-me beijos que se escapam
e se vertem com o café sobre a mesa -
estilhaçados pelo chão os restantes
abordam-me.
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Tenho mãos de manteiga,
coração em banho-maria,
caramelo na pele.
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À sombra de uma palmeira
por cada abraço silencioso que te dou
fico mais forte.
- Abalas com sismos a minha nostalgia.
É por isso que adoro as réplicas
que fumegam na chávena,
o aroma
de quando estamos juntos,
me sorris...
Quando te digo com o olhar que te amo.
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É essa a razão das mãos ficarem vazias.
Quando estou sem ti e me sinto sozinho.
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domingo, 8 de novembro de 2009

Sonho de Almas e Corações inseparáveis




A minha alma levantou-se de entre os lençois de sentimentos
afastou os cobertores cristalinos adormecidos no olhar
concordou com a voz da cama que era altura de se separarem,
de voltarem a sentir-se outra vez na noite seguinte
quando as estrelas e os anjos acordassem da bruma.

Calçou uns chinelos, ainda nua e caminhou pela casa
que batia a cada segundo. Queria desgastar os chinelos
de saudades e abraçar-se a lareira acesa
onde o calor do amor era mais puro e intenso.

Vestiu uma roupa leve feita em teares pelas princesas
das magoas, e quis ali mesmo deixar bem clara a sua voz.
Por isso ajeitou a roupa com confiança, colocou o seu
chapeu alto e falou com as arvores e o vento la fora.
Respirou ao abrir as portas que não podia controlar
e deixou entrar o perfume vindo das terras do sul.

Correu ate a estação de comboios a cerca de vonte quilometros
e aguardou o retomar do fôlego, das mãos que dentro
do peito reclamavam com carinho as saudades liquidas.
Mas a tempestade veio quando o comboio passou sem parar.
Os guarda-chuvas e as folhas das arvores abriram-se,
porque tambem choravas.

Decidida a dar-te a mão chamou um "comboitáxi",
que não era mais que um taxi indo pela estrada
sinuosa da esperança, em busca da próxima paragem.

E foi aí que te abraçou. Foi aí que o coração chorou
mais alto de tanta emoção. Voltou para casa levando-te
sobre uma almofada de beijos, pairando no ar,
e entrou na sua casa contigo.

Tanto tempo e já as estrelas e os anjos, como era
suposto, estavam ali. Desta vez um pouco mais cedo
para serem testemunhas do momento.

A chuva parara. Havia evaporado nas cortinas da janela,
para que o luar entrasse no seu lugar;
e para que os pára-brisas tocando-se entre o brilho
fossem as tuas pestanas nos teus olhos doces.

Ganhou sono. Pediu-te colo como uma criança cansada
de correr nas brincadeiras onde só o riso tinha lugar.
Quis sentir o ondular dos teus dedos no cabelo
como se o mar ali estivesse todo e a brisa fosse o teu respirar.
As ondas eram pequenas e ao largo o mar estava calmíssimo.
só a minha alma e tu estavam na areia.

A praia estendia-se ao longo de quilómetros.
A fogueira nas dunas ao nosso lado iluminavam
os rostos.

A minha alma dormia dentro de mim, na sua casa...
Que batia... o meu coração.
Aí dormia a tua alma junto da minha
e o coração batia abraçado no meu.

Cá fora eu adormecera com a cabeça deitada no teu colo
e tu adormeceras a tocar o anjo...

A tranquilidade era absoluta...

Os lençóis de estrelas confortavam-nos
e os cobertores de luar cristalino cheios de anjos
tornavam o nosso sono divino...

sexta-feira, 6 de novembro de 2009

Onda de ouro




Perdido,
sufocado nesta espuma de incertezas,
pressinto.
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É o mar que me embala nestas tardes geladas
em que a solidão me devolve à loucura.
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A brisa não me sabe corresponder,
não me pode abraçar.
.
Já era tarde demais para eu suportar,
e a solução era partir.
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Quando o barco se desprendia das amarras:
-Foi quando vi os teus olhos.
Foi quando vi o teu sorriso.
Quando as tuas mãos me abraçaram
e a tua voz me deu tranquilidade!
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Foi nesse instante que soube
não poder desistir nem partir.
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A onda de ouro de ti
envolveu-me com o espírito de um coração
mergulhado na ternura do silêncio.
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Fico e não digo adeus às coisas
e aos lugares que me vêem.
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És no mundo quem me devolve a liberdade
e a vontade de abrir os braços,
voando pelo céu azul.
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Refugiei-me no aconchego da tua alma
e digo ao mundo que é impossível esquecer-te.
.
Mesmo quando não te vejo,
pressinto e estou onde estás mesmo sem que saibas
ou te lembres de mim.
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És uma onda de ouro na minha vida.
Onde? Onde?
No meu coração! No meu coração!
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quarta-feira, 4 de novembro de 2009

Saudade II



A minha saudade não tem pontos finais.
Devora-me o peito, abre-me feridas
voa na minha mente em linhas desiguais.
.
A minha saudade tem vírgulas de tristeza,
de sentir-te, de te querer e não te ter,
de desejar abraçar-te e não poder.
.
A minha saudade é céu infinito
cheio de estrelas que se propagam
dói, mas com esperança nunca se apagam!
.
A minha saudade é de amor profundo
de vigiar teus olhos, teus lábios de ternura...
e apagar toda a amargura!
.
Estou contigo mesmo quando não estás.
Vejo-te e sinto-te mesmo quando não estás.
Amo-te mesmo quando não estás.
Porque estás sempre. Em mim.
.
Busco forças onde for preciso
E um dia conseguirei amar-te ao luar
Porque estarás sempre comigo:
Almas juntas, corações unidos,
corpos envolvidos
numa carícia contínua
sobre a terra,
em qualquer momento;
em qualquer mar.
.
Agora que passo mais horas em silêncio
falo contigo dentro do meu peito.
Por entre a febre e o medo dás-me a mão.
.
Schhhhhh não tenhas medo...
Não vou nunca afastar os meus dedos dos teus...
.
Saudade...