sábado, 24 de outubro de 2009

Beijo




Um beijo,
um mimo,
um sorriso,
um toque,
um silêncio,
um sentido,
um lugar,
um sentimento.
.
Uma boca,
outra boca,
a razão,
a paixão,
o luar,
uma estrela,
o mar,
a tentação,
a viagem,
a luz,
a escuridão,
o ritmo,
a imagem,
a sensação.
.
A tormenta,
a ternura,
a saudade,
tu, eu,
o abraço,
amizade.
.
O romantismo,
o carinho,
o retrato final.
Espaços vazios
libertos de sal..
.
Adeus amargura,
adeus tristeza...
Um toque de magia,
e no teu íntimo
a beleza.
O sol,
o céu,
confiança.
.
Uma praia esquecida,
uma cascata de fogo,
um oásis de sabor,
um gemido doce,
um olhar de licor.
.
A espera,
um barco junto ao cais,
espuma entre os dedos,
respiração,
temperança.
.
Uma sombra,
o orvalho nas pálpebras,
as nádegas despidas,
um espelho na folhagem,
teu corpo nu,
eterna viagem.
E o beijo.
.
Revisto a medalha de bronze
com a película da ternura.
.
Transporto as nuvens
e faço-te flutuar sobre elas,
seios gelados
aquecidos pelos lábios
do pôr-do-sol;
uma aurora de cor,
um cântico de amor.
.
Que este querer
é mais que orquídea
num jardim florido
a renascer,
é planície de ânsia
e montanha sinuosa
de desejo em te ter.
Os lábios em aproximação.
.
Viro o mundo ao contrário,
e desenho galáxias
no teu sorriso,
abro o armário,
tiro a camisa
que visto
para me encontrar contigo.
.
Sou pedra simples
num riacho
onde és água corrente,
sou peixe
e tu és coral,
sou ser imperfeito,
mas real.
.
Caminho no teu corpo,
sou passeio polido,
chão de madeira afagada,
para os teus pés descalços,
sou colo onde te deitas
para dormir debruçada.
.
Sou continente,
tu és mundo,
sou sistema solar,
és universo,
sou arco-íris
és tela
onde ele está pintado.

.
Lábios humedecidos
íntimo da tua pele
como pena leve ao vento,
uma leve brisa da minha boca
em sopros quase imperceptíveis
para arrepios infinitos.
.
Traços de carvão,
pirâmides de mistério,
como um furacão
no outro hemisfério.
E um beijo.
.
Que eu ouço a tua voz,
sinto o teu paladar,
cheiro a tua essência,
tacteio o teu mundo
e vejo o teu olhar.
.
Fecha os olhos
e dá-me a tua mão...
podes confiar-me a vida,
se achares
que a podes estar a perder!
Porque para ficares com ela,
dava-te o meu coração
num beijo
para conseguires viver!
-

sexta-feira, 23 de outubro de 2009



O coração tem medo.
O medo ri.
.
Há-de extinguir-se
dentro de ti.
.
Que eu sou lutador feroz
impossível de desistir!
.
Abre o peito. Fecha os olhos.
Sente .
.
O medo há-de perceber
que foi vencido.
.
Hei-de abraçar-te
e literalmente estares comigo.

sexta-feira, 16 de outubro de 2009

Silêncio




As tuas mãos pousadas nas minhas
querem dizer alguma coisa.
Os teus braços à volta dos meus ombros
querem dizer alguma coisa;
os teus cabelos ao vento dizem tudo
sem que fales com lábios sedentos de ternura.
O teu corpo treme de ansiedade
porque deseja mas tem medo.
.
Teu coração bate forte forte no peito
e conta-me os segredos do que sentes.
O rio agitado no teu sorriso, nas tuas lágrimas,
diz-me.
E corre sem fim.
E as árvores são testemunhas do meu respirar...
E é este brilho que se reflecte nas água,
o brilho dos teus olhos ao fim da tarde
que me fascina
e me diz alguma coisa sem conseguir falar.;
.
Olho-os fixamente e sei o que eles sentem.
Eu sei, que apesar do receio
que te tatua com silêncio:
também amas os meus olhos.
-

terça-feira, 13 de outubro de 2009

Velha estação de comboios junto ao mar: Saudade...




Era uma menina muito doce que habitava numa velha estação de comboios junto ao mar. Nas noites mais frias enrolava-se no único cobertor que lhe restava - única memória da sua mãe -, e juntava os joelhos ao peito. depois fechava os olhos e rezava para que adormecessee voltasse a acordar no outro dia, mesmo com o corpo todo dorido da sua cama dura, mas tão sua (e de ninguém). Sozinha, vagueva pelas praças agitando as tranças caídas pelos ombros, chorava e desesperava, até que alguém se lembrava de lhe dar a mão. Agradecia os breves momentos, mostrava a sua simpatia, mas no fim ficava sempre sozinha. Numa tarde em que caíam grandes flocos de neve um homem com aspecto horrível aproximou-se dela e ela teve medo. Quis fugir, mas gelada como estava não conseguiu. Fechou os olhos temendo o pior. Ao invés disso sentiu o calor um abraço, quente mas triste. Ficou imóvel e não disse nada até que deixou de tremer e os olhos ganharam de novo vida. Ao abrir as pálpebras viu umhomem maravilhoso, um coração transbordando solidariedade e ternura. Docemente, como se a vida fosse calma com aroma a camomila, sorriu, levantou-se, fez uma vénia ao homem, saltitando depois entre a neve, esquecida da solidão. Na noite seguinte lá estava ela na velha estação. Agora o comboio saía das suas palavras e o mar vestia-se com um aspecto escuro (o aspecto das tempestades). Ela poderia adormecer, esse mesmo mar guardá-la-ia mais uma vez, não deixando que ninguém se aproximasse dela... ninguém que não tivesse o mínimo de amor dentro de si. Onde quer que estivesse, talvez aquela estrela brilhante no céu, a menina sabia que a sua mãe estava sempre com ela. Saudade...

domingo, 11 de outubro de 2009

Simplicidade...



Não sou pedaço de ouro encantado
nem quero ser prata brilhante,
muito menos diamante lapidado
ou esmeralda cativante.
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Esquece todas as opalas,
e desliga a margem dos sentidos,
o que me importa é que falas
com os teus olhos desmedidos.
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Rubis não me aquecem a esperança
e de platina não preciso para a lua,
basta que me entregues confiança
numa pétala de rosa nua.
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Quando de mansinho eu adormecer
não quero bronze ao fundo da cama
vale mais o meu sorriso por te ver
que encontrar uma fortuna na lama.
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