domingo, 11 de outubro de 2009

Simplicidade...



Não sou pedaço de ouro encantado
nem quero ser prata brilhante,
muito menos diamante lapidado
ou esmeralda cativante.
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Esquece todas as opalas,
e desliga a margem dos sentidos,
o que me importa é que falas
com os teus olhos desmedidos.
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Rubis não me aquecem a esperança
e de platina não preciso para a lua,
basta que me entregues confiança
numa pétala de rosa nua.
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Quando de mansinho eu adormecer
não quero bronze ao fundo da cama
vale mais o meu sorriso por te ver
que encontrar uma fortuna na lama.
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domingo, 4 de outubro de 2009

Caminho de luz



Dou passos na noite escura em silêncio
enquanto penso no teu suave olhar
e logo surge um caminho de luz
onde eu posso seguir-te sem te tocar.
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Há uma brisa que se instala em mim,
céu de saudade a cada momento
um rosto que viaja sem fim
ao encontro de uns braços em movimento.
.
Ao longe a tua silhueta com luar
e a tua sombra na paisagem
trazem-me às palavras um cantar
para te murmurar na viagem.
.
A viagem que faço
às margens do rio na emoção
onde deixo um pequeno traço
que se liga ao coração.
.
E sem conseguir falar-te
Escrevo esperança de mansinho
com trinta e dois pontos de luz
iluminando o meu caminho.
.
A noite vai passando devagar,
A minha alma vai esperando,
E sem nunca deixar de olhar
Ao teu ouvido vai amando.
.
São já muitos mais os pontos de luz
E uma força cresce firme em mim!
Tudo em ti me seduz
Enquanto luto, luto, sem fim!
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Deixo-te um secreto beijo:
fecha os olhos e respira fundo.
Pede o teu mais puro desejo
Que eu vou estar nem que seja o fim do mundo.
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Sopra com a suavidade
que só tu consegues ter
E sorri, por que na verdade,
Vou-te amar mesmo depois de morrer.
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Agora esqueço vírgulas e respiro
e não deixo pontos finais neste poema
cada dia é um novo suspiro...
um abraço com novo tema.
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A luz há-de expandir-se
e nunca haverá escuridão!
os teus dedos hão-de fundir-se
com a luz da minha mão.
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Dorme devagar porque sim
que secretamente hei-de acordar-te
quando estiveres perto de mim
e não seja preciso sonhar-te.
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Nenhuma vela apagará com vento
nem tão pouco deixaremos de sorrir
há-de esfumar-se o desalento
para que possamos uma estrela construir.
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Vou deitar a cabeça na almofada
e esperar que o anjo de ti possa chegar
a telepatia é a nossa fada
para que mesmo ao longe te possa falar.
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Aconchego-te nos meus braços...
Shhh já podes adormecer...
Não há medos nem espaços
que nos possam estremecer.
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Que este amor que sinto
não tem escala que o meça.................................................
porque no meu puzzle interior
És a mágica última peça!
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sexta-feira, 2 de outubro de 2009

Medos II - Abraço-te



Pode o tempo parar,
as horas perderem-se,
os minutos gastarem-se em lutas,
os segundos cairem das árvores
em lutas;
os segundos cairem das árvores
tombadas pelo vento,
os centésimos serem cristal frágil
os milésimos finíssima folha de papel
para queimar as minhas mãos,
mas eu não deixarei de as entrelaçar nas tuas.
.
Abraço-te
.
Pode o chão de madeira nos meus olhos partir,
escorregar na resina fria das células,
diluir-me numa floresta negra
onde não chega o sol;
ser chicoteado pelos ramos na tempestade
e não deixarei que a noite íngreme,
por maior que seja, vença.
.
Abraço-te.
.
Pode a pele do meu corpo sofrer uma mutação
que me torne irreconhecível,
o pôr-do-sol tombar vermelho
nas minhas unhas ensanguentadas com os dedos feridos,
os pés encherem-se de poeira agreste
ter sede infinita,
mas ainda assim segurarei a corda
para não caíres.
.
Abraço-te.
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Posso ficar preso numa rede feita por um assassino,
emaranhado numa teia de aranha gigante
sem sentimentos;
ser picado por abelhas africanas,
sentir na garganta o nevoeiro escuro do silêncio...
Amordaçando-me
e ainda assim gritarei o teu nome ao céu
para que nunca me esqueças
e saibas que na noite mais escura sem luz,
pontuarei de estrelas o teu rosto triste
para que me sorrias.
.
Abraço-te.
.
Podem levar-me para longe,
largar-me no mar
onde sou amador entre os peixes
e presa para os tubarões esfomeados;
beber a água salgada para a minha alma e ter hipotermia,
adormecer quase lívido
e o meu coração continuará a bater
para não te deixar naufragar na tempestade
que existe em muitos momentos à tua volta.
.
Abraço-te.
.
Podem tirar-me o papel e a caneta,
destruir todas os livros e folhas de jornal,
contruir aviões que se desintegrem,
ou naves para enviar para órbitas longínquas
que nunca mais voltarão;
podem tirar-me a voz,
fechar-me as pálpebras para que o brilho dos meus olhos
não te fale.
Podem paralisar-me os sentidos, apagar-me os sonhos,
reescrever a minha existência,
fazer amnésia de betão na minha mente,
erguer arame farpado nos meus lábios
que chegue até a lua
e o sangue de mim tingir os lagos...
Podem arrancar-me o coração do peito,
enjaulá-lo numa solitária,
deixar que o inverno crie raízes na minha face
ou arrepiarem-me com o perfume das marés geladas
e eu não te esquecerei
e estarei aqui sempre para lutar, sem desistir.
.
Abraço-te
.
Pode o medo gritar-te ao ouvido,
entranhar-se nos lençóis quando queres adormecer...
ameaçar-te no subconsciente,
percorrer as paredes em forma de sombras,
falar-te com os caninos fora da boca;
pode o medo intimidar-te, ter braços, pernas, olhos,
voz, gestos, críticas, exigências,
e com ironia querer isolar-te do mundo,
isolar-te dos teus sonhos,
isolar-te de ti mesma
isolar-te do desejo de ser feliz:
e eu estarei sempre em cada milímetro de ti
para que o sol nasça fresco como o pão quente,
para que a chuva caia como as lágrimas de alegria,
para que a dor intensa deixe de ser maré contínua.
Transformá-la.
Combatê-la.
Moldá-la.
Vencê-la.
.
Abraço-te.
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Pode uma flecha flutuar no vazio
e correr galáxias em busca de veneno
que me possa aniquilar como se de uma serpente se tratasse,
pode um leão surgir-me no caminho
com arrogância e ferocidade,
ou um bando de abutres dar-me bicadas:
voarei sempre no teu coração
para que ele receba o meu carinho.
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Podem cair todas as lágrimas
mas conseguirei ser o melhor nadador do mundo.
.
Abraço-te.
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Enfrentarei qualquer medo de ambos.
Posso tremer e a respiração ficar lenta.
Podem tirar-me tudo,
mas jamais poderão fazer-me desistir
do arco-íris que me dá cor à vida:
Tu.
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segunda-feira, 28 de setembro de 2009

Medos...



Quando me deito sobre os lençóis frios
a tua ausência
é maior que o escuro que invade o quarto.
Nos teus olhos há uma jangada
que flutua na tempestade.
Eles andam sobre as ondas,
trémulos, receosos.
Tuas mãos tremem,
teu coração palpita, sente.
Mas com o sentir há uma seta feroz
que faz caminhar devagar.
O sol desce sobre as colinas ao fim da tarde,
as tuas pálpebras fecham-se
quando a noite já vai alta,
mas diferem da tranquilidade
quando se voltam a abrir a meio da noite,
e um zumbido nos ouvidos
de uma voz
que sacode a alma de tão volátil e agreste que é.
.
Há uma penumbra e um nevoeiro no caminho
que sabes e queres seguir
mas tens receio de falhar os passos,
medo de falhar os rochedos certos
para não caires no abismo.
Medo de cair da muralha.
Medo de perder a pedra mais preciosa do mundo,
irrequieta, a tua paixão mais pura e genuína.
Tudo é tão complicado,
o céu é pontuado de estrelas
mas os dedos entrelaçados
são um perfume
que se conjuga muitas vezes no singular
quando desejamos estar perto,
quando queremos estar juntos
e não é possível.
.
Mas há um sinal que não se pode esquecer:
O amor.
E os meus olhos tinham amargura.
E eu vivia na minha solidão.
E não conhecia os teus olhos.
Mas sabia que existias.
Estavas no meu céu.
Via o teu brilho.
Perguntava à estrelinha:
- És tu meu amor?
Aparece, fala-me de ti.
E um dia vi-te.
E nesse dia falaste-me
sem sequer imaginares que me falavas.
E eu senti.
E eu vi.
E eu sinto.
E eu vejo.
E eu quero...
As noites são frias.
Os medos tão grandes.
Mas a esperança, infinita.
Quero-te
e sei que me queres.
Levanta-te...dá um passo...
de tiveres de recuar um para avançar dois fá-lo.
Estou,
estarei semprede mão estendida
à tua espera.
.
Espero,
Espero...
Tenho medo
que desistas...
Ouço os murmúrios irrequietos
que povoam a tua alma.
Tens asas,
conseguirás voar,
mas receias não conseguir abrir-las
no primeiro voo...
As estrelas estão sempre no céu
mesmo quando as nuvens e a penumbra
teimam em não deixá-las visíveis.
Assim como elas,
também não consegues ver-me
por vezes mas estou mesmo ali...
O teu desejo de atingir um sorriso supremo é grande,
o teu desejo de ser feliz é extremo
o desejo de mudança é certo.
A tua cabeça gira a mil à hora.
És como um atleta de saltos para a água
que tem vestigens.
Ora avanças sobre a prancha ora recuas,
e a cada vez que ficas indecisa
o pânico cresce,
a prancha parece mais pequena
e a altura cada vez maior!!!
.
As consequências,
essas interrogações que fazem tremer o coração
levando-o à inércia
fazendo-o sofrer ainda mais.
É como uma bola de neve,
inocente, pequenina,
leve
que se atira de um lado para o outro
e faz sorrir numa brincadeira.
Depois rola, aumenta:
assusta.
As mãos tapando os ouvidos
para não mordera voz que chora...
.
Mas há um guerreiro no mais íntimo lugar secreto
que te compõe.
Dá-te força,
mantém-te viva,
dá-te esperança..
Só precisa que o tires das masmorras interiores
e o deixes guiar-te
sem temer...
Os muros são altos?
Eu serei mais alto para estar perto de ti.
A distância é muita?
Eu farei uma ponte com os meu braços
para te ter junto de mim.
Há espinhos?
Serei rosa vermelha para tingir de vida
o teu corpo gelado pelo receio.
Há curvas sinuosas?
Serei um guia que acompanhará os teus passos
trilhando a teu lado
até à libertação.
Fechas os olhos e choras copiosamente
num momento de solidão que ninguém vê
e apetece-te desistir.
Apetece-te largar o mundo?
MAs então há dois mundos que precisam
e querem que sejas o seu universo.
Um é mais pequeno e chama-te doce
o outro é maior e chama-se ternura.
Um deles é ele,
o outro sou eu...
.
Sento-me num banco de jardim.
No rio a água não corre para me lavar o rosto,
mas eu naufrago na saudade
mesmo sem barco nem água.
Tenho os lábios secos, com sede de ti...
Atravesso o caminho envolto pelas árvores
sorrateiramente.
Fico perto.
Olho o céu mais uma vez.
Brilhas...
Há no meu peito um amor inquebrável.
Um medo intenso de te perder,
mas uma certeza absoluta de que não perderei...
Há no teu peito um amor inquebrável
Um medo intenso de me perderes
e ainda outros que conheço
e consigo sentirquando te olho
e os vejo tão transparentemente visíveis
perante o que és
e o que sinto.
E não me perderás...
.
Deitas a cabeça na almofada,
sou estrela que te observa pela janela:
nua...
Eu vejo-te,
e não me desiludo.
E não fujo
E gosto de ti,
porque és tu.
E eu amo-te como és.
Puxas o lençol sobre o corpo
e adormeces.
Ajeito-o melhor.
Ilumino-te.
Não deixo que haja mais escuridão
e afasto a que aparecer...
Ao teu medojunto o meu.
Da minha certeza absoluta
que nunca me fartarei de ti,
que nunca deixarei de te amar
que nunca desistirei.
E rezo, e peço ao teu coração
que nunca se farte,
que nunca desista,
que nunca desistas.
Que a vontade é maior que qualquer medo!
Que nada conseguirá vencer este amor infinito
porque nada conseguirá ser mais poderoso
nem resistir-lhe!
.
Que somos almas gémeas
que uma vez juntas
nada nem ninguém separará...
Diz-me que somos como um só ser.
E que um único ser nunca pode dissolver-se...
Sente como eu sinto,
e juntos como um só
triunfaremos
com o nosso amor...
Desistir?
Nunca, nunquinha!
.
O medo diluir-se-á
e será apenas uma lembrança
que fortalecerá a cada dia
este amor intemporal...!
.
Entrego-me a ti.
Fica comigo
porque eu já te pertenço...
Contra todos os medos:
merecemo-nos.
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sexta-feira, 18 de setembro de 2009

Sensações

Minha noite fria,
minha calma de arrepio transparente,
meu desejo de arromba, suave,
distância que nos confunde;
alma agreste que me arrasta,
luz concreta que me atrai,
chama viva que se derrete,
no meu corpo que cai...
.
Mais magia e toalhas de alfazema,
mais formigueiro nos pés descalços
de amor flamejante e imortal,
corpo nu numa cama de cetim,
cravos soltos na planície do luar,
corvos pretos caindo com o bico
nas entranhas líquidas do mar...
.
Força e dislexia nos olhos transpirados,
umas mãos tremidas à beira da saudade,
aquela presença notória nos vidros,
de um silêncio desencontrado...
.
Nos lírios frescos aromatizados,
tanta coisa no reverso da ansiedade...
Assim se percorrem caminhos,
assim se descobrem lugares sem fronteiras,
da tua pele para lá das montanhas
vem um perfume de flores,
paraíso para as abelhas
dos meus lábios
procurando o mel.
.
Bato as asas na paisagem desfocada,
fecho as pálpebras e deixo-me cair...
Sinto o pólen de um sorriso
tenho-te no meu sangue
no meu coração,
a impedir-me de fugir,
de fugir de mim.
Sinto-me vivo
com este forte bater dentro do peito...
Este amor que sinto por ti!
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