sexta-feira, 5 de fevereiro de 2010

A magia de um sonho...



Escolhi um lugar tranquilo para te amar interrompido somente pelas ondas do mar,
misturando o sal na tua voz. Sentados, confortáveis, meditávamos em silêncio
como almofadas e as pernas cruzadas em lótus..
Respirávamos calmamente, relaxando, sentido a brisa marítima.
Cada expiração um desejo, cada gesto uma atenção redobrado sobre os corpos.
Os pés em contacto com a areia fina, cansados da caminhada sobre a espuma.
Sentiamos cada pedaço do vento. Sentia cada pressão interior da tua alma,
os teus olhoares difusos, progessivamente mais brilhantes e misteriosos.
Eu sentia. tu sentias. Deixei que tudo te captasse a atenção e vibrasses
como as algas à tona da água. Os meus dedos passeando na tua face.
Fazer desse momento um momento de prazer. Os corpos estabelecendo um primeiro contacto,
felizes por sentir o luar mergulhado na pele- outra tinta para a casa da vida, a íris?
Não formulámos palavras, sentimos apenas.
A pouco e pouco o contacto com as demais partes do corpo através das estrelas,
agradecidos pelo seu calor, pela sua genuína atenção.
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Os corpos despidos sobre a areia inundada de espuma da paixão.
Um elo, um calor, um suspiro, um arrepio deslizando como néon aceso pela seda,
uma outra forma de suor, de prazer, delimitando os contornos de ambos so seres
que habitamos, que sentimos, que conhecemos( outras vezes nem tanto)...
e buscamos o espírito do céu, a loucura de cada gemido que a terra solta.
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O perfume do teu interior fluindo para as rochas,
arrebatando-se num flash de suprema ternura e satisfação.
Um desabrochar, um levitar de prazer infindável;
inolvidável, como a luz do farol que ao longe rompe o nevoeiro
e mergulha na imensidão dos barcos que flutuam sobre espelhos de água.
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No instante seguinte o teu sorriso mais aberto, mais puro, suave, mais perto,
o abraço das anémonas à volta do meu corpo humedecido,
do meu peito colado aos teus seios de olhos fechados dormindo em silêncio.
Desce a maré até ao umbigo, cresce a noite, o sono e as pálpebras cerradas,
já os meus dedos mergulham na gruta funda e húmida tocando a areia molhada.
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Outras curvas se desvendam ao fundo das tuas costas suaves, salpicadas por tiras de cabelo
junto aos ombros, como portas semi-abertas para entrar como um fantasma
e esconder-me nos finíssimos fios e esperar o dia seguinte
sem que a prata da lua caia na totalidade sobre a ondulação.
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Adormecidos na areia, amando também a sonolência tranquila,
sonhamos perdidamente de mãos dadas, como gaivotas no seu voo
ligadas pelas asas inconfundíveis do desejo e da felicidade.
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Também a praia dorme.
Somente as ondas continuam, limpidamente, secretamente,
subindo a areia,
tentando tocar o teu corpo,
mas onde a única onda sou eu
e o mar ali tão perto, é o meu coração junto do teu...
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A magia de um sonho...

terça-feira, 2 de fevereiro de 2010

Desassossego




Ouço o ruído da gravilha,
as células que se fecham
na curva melancólica
onde sou aguardado
com encanto
desesperado.
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É absoluto o tumulto,
o demónio
atravessado na solidão.
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Ouço a gravilha melancólica
que bate no vidro
o explodir das células
na plenitude de um manto
maior que o meu corpo.
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A curva do demónio
engloba-me,
a solidão marca o meu desassossego...

domingo, 31 de janeiro de 2010

Lua



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Fogem-me tantos instantes
que nao consigo contá-los quando fecho os olhos
e sobrevoo o silêncio.
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Tenho medo do escuro ( do escuro da alma)
quando marco as horas de acordar
e ecoo num instante diferente.
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As palavras deambulam pelo meu corpo
em horas perdidas.
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Hoje o relógio move-se
por bermas de triângulos
que me permitem ouvir o perfume:
- Lua, sabes-me dar volta!Sim!

Sabes o quanto a estrela me faz falta.

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- Amanhã vou entrelaçar-te
na minha voz

para que grites comigo

esta saudade intensa!

terça-feira, 26 de janeiro de 2010

Amar em silêncio


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Afasto a cortina do vidro da janela.
As estrelas já brilham no céu
e a saudade imensa da maior de todas
acumula-se a cada dia que passa.
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Respiro fundo.
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Sou forte. Fico quieto
para não causar problemas com a luz
que recebes nos teus olhos doces.
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Guardo no coração tudo o que sinto por ti.
Olho-te de mansinho todos os dias
quando nem te apercebes
e percorro a tua face com as minhas pupilas.
em vez de te acariciar com os dedos.
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Abraço-te sem te tocar.
Sem te dizer que me amargura quando te vejo
assim.
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Mas tenho esperança
que o céu volte a sorrir nos teus lábios.
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Amo-te em silêncio,
porque nem sempre as palavras ou os gestos
podem amar tão verdadeiramente
como ama a voz silenciosa do coração.
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Na noite fria sou anjo que adormece ao teu lado
sem saberes.
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É em silêncio.
Mas sempre o meu olhar se cruza com o teu é isso que te quero dizer:

- Amo-te.

sábado, 23 de janeiro de 2010

O susto




O susto de ontem à noite
foi como uma nuvem
a indicar-me o caminho do abismo.
Mas resisti, RESISTO!
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A saudade aumenta a cada segundo.
A solidão dói-me no peito.
Preciso de ti.
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Falta-me a tua luz
para iluminar este mundo escuro.
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Porquê? Porquê?
Queria tanto ouvir-te dizer de novo:
Inesquecível.
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E a mesma certeza de sempre:
Nunca vou desistir
do amor da minha vida!
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