quarta-feira, 4 de novembro de 2009

Saudade II



A minha saudade não tem pontos finais.
Devora-me o peito, abre-me feridas
voa na minha mente em linhas desiguais.
.
A minha saudade tem vírgulas de tristeza,
de sentir-te, de te querer e não te ter,
de desejar abraçar-te e não poder.
.
A minha saudade é céu infinito
cheio de estrelas que se propagam
dói, mas com esperança nunca se apagam!
.
A minha saudade é de amor profundo
de vigiar teus olhos, teus lábios de ternura...
e apagar toda a amargura!
.
Estou contigo mesmo quando não estás.
Vejo-te e sinto-te mesmo quando não estás.
Amo-te mesmo quando não estás.
Porque estás sempre. Em mim.
.
Busco forças onde for preciso
E um dia conseguirei amar-te ao luar
Porque estarás sempre comigo:
Almas juntas, corações unidos,
corpos envolvidos
numa carícia contínua
sobre a terra,
em qualquer momento;
em qualquer mar.
.
Agora que passo mais horas em silêncio
falo contigo dentro do meu peito.
Por entre a febre e o medo dás-me a mão.
.
Schhhhhh não tenhas medo...
Não vou nunca afastar os meus dedos dos teus...
.
Saudade...

sábado, 31 de outubro de 2009

007 - Operação Mimos



Os meus olhos olham fixamente os teus
e sinto que muitas vezes queres fugir-lhes,
não porque não sintas,
mas pelo medo de sentir cada vez mais.
.
Entra por mim adentro um mar gelado,
uma vontade imensa de arrasar o frio cortante
que me assola o corpo
com os teus abraços longos e quentes.
.
Observo a tua pele sedosa,
os teus cabelos macios e cheirosos,
o teu sorriso incomparável.
.
Não visto o fato preto
nem ponho a camisa branca.
Não te seduzo assim.
Prefiro seduzir-te
com o plano dos meus olhos
quando te digo tudo o que sinto.
.
Sinto falta dos teus beijos
das tuas palavras mágicas
do teu carinho infinito.
.
Preciso de pôr
a operação mimos em andamento
só assim posso receber
os teus carinhos num e outro momento.
.
As estrelas, tenho-as visto tão sozinho...
Faltas-me no escuro
para sussurrar-me o amor...
Enquanto isso te assusta e te faz temer
Eu arranjo armas contra o medo
para que o possamos vencer.
.
007 Operação Mimos
Só poderá ser bem sucedida
Porque mesmo que me apague no meio de limos
hei-de amar-te em qualquer vida!

quinta-feira, 29 de outubro de 2009

Saudade



Os olhos doem
mas consigo ver-te sempre no meu coração.
.
As minhas mãos tremem
mas seguro-te firme no meu peito.
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Os ouvidos têm zumbido
mas segredo-te palavras de ternura.
.
Os lábios não se movem
mas beijo-te mesmo quando estás ausente.
.
A cabeça parece rebentar
mas segura-se porque estás na minha mente.
.
O sorriso está anestesiado
mas no mundo do sono acordo.
.
Toca-me com os teus dedos,
e diz-me que nunca mais
te afastarás dos meus...
.
Preciso de ti.
Preciso de ti.
E o eco da minha voz
Grita no teu peito.
Será que ouves as saudades
que sinto por ti?

terça-feira, 27 de outubro de 2009

O sonho...




Na noite escura de insónia
há uma alma que em mim carrego
que se transforma em silêncio doloroso.
.
As nuvens que se vislumbram no céu
escondem a lua numa penumbra que começa mais cedo
com a mudança de hora e antecipação das noites.
.
Sentado na cadeira
de roupão azul vestido,
qual céu perdido no universo,
pele sedenta de ternura,
pele sedenta de carícias
e de lábios humedecidos...
Respiro o ar frio que entra pela janela aberta da sala.
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Vou com os passos incertos,
cabeça num rodopio de chumbo
que me vai pesando ainda mais a cada segundo que passa;
o pé dormente,
um formigueiro que se alastra pelas pernas
e me faz parar junto à cama
quando bato com os dedos na madeira da mesinha de cabeceira
e dói.
Não aquela dor que vai no coração,
mas uma outra que se junta a ela,
mas não faz esquecer a anterior, que permanece.
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Afasto os lençóis e deslizo para o abismo
onde a solidão é como um bicho da madeira
a dormir entre os lençóis.
.
É então que vem o sonho
e nessa noite de sexta para sábado me dizes.
Dizes-me que domingo estarás comigo.
.
E o tempo passou e já é domingo.
Sorris e abracas-me quando me olhas.
Amas-me os lábios em silêncio de olhos fechados.
Dizes que o amor é infinito
impossível de apagar:
que te sentaste à espera
e que quando te levantaste o coração te levou até mim.
Porque o tempo me quererá contigo,
porque me amas e me queres contigo.

Nesse instante estavam os lençóis aquecidos,
teu corpo num dormia junto ao meu;
a estrela brilhava dentro de uma boa de cristal
com o contacto das nossas mãos.
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A luz iluminava docemente o teu rosto
e os raios tenuamente chegavam ao meu.
Era mágico.
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E foi então que acordei.
Era sábado e esperei.
Foi domingo e esperei.
Como se um barco viesse do horizonte ao meu encontro,
sentei-me no vazio dos degraus
e esperei que chegasses.
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A noite voltou,
mas não estavas.
Apenas o meu coração a palpitar,
o meu peito em chamas
consumindo-se.
Amando-te sem estares,
amando-te sem saberes.
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Voltei ao silêncio dos lençóis,
ao abismo onde me sinto sozinho
e lutei contra a insónia que me devora.
.
Hoje não tenho sono.
Mesmo sem querer sentir isto:
sinto-me sozinho.
.
O amargo da ausência.
Sinto-me sozinho,
sem ti.
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sábado, 24 de outubro de 2009

Beijo




Um beijo,
um mimo,
um sorriso,
um toque,
um silêncio,
um sentido,
um lugar,
um sentimento.
.
Uma boca,
outra boca,
a razão,
a paixão,
o luar,
uma estrela,
o mar,
a tentação,
a viagem,
a luz,
a escuridão,
o ritmo,
a imagem,
a sensação.
.
A tormenta,
a ternura,
a saudade,
tu, eu,
o abraço,
amizade.
.
O romantismo,
o carinho,
o retrato final.
Espaços vazios
libertos de sal..
.
Adeus amargura,
adeus tristeza...
Um toque de magia,
e no teu íntimo
a beleza.
O sol,
o céu,
confiança.
.
Uma praia esquecida,
uma cascata de fogo,
um oásis de sabor,
um gemido doce,
um olhar de licor.
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A espera,
um barco junto ao cais,
espuma entre os dedos,
respiração,
temperança.
.
Uma sombra,
o orvalho nas pálpebras,
as nádegas despidas,
um espelho na folhagem,
teu corpo nu,
eterna viagem.
E o beijo.
.
Revisto a medalha de bronze
com a película da ternura.
.
Transporto as nuvens
e faço-te flutuar sobre elas,
seios gelados
aquecidos pelos lábios
do pôr-do-sol;
uma aurora de cor,
um cântico de amor.
.
Que este querer
é mais que orquídea
num jardim florido
a renascer,
é planície de ânsia
e montanha sinuosa
de desejo em te ter.
Os lábios em aproximação.
.
Viro o mundo ao contrário,
e desenho galáxias
no teu sorriso,
abro o armário,
tiro a camisa
que visto
para me encontrar contigo.
.
Sou pedra simples
num riacho
onde és água corrente,
sou peixe
e tu és coral,
sou ser imperfeito,
mas real.
.
Caminho no teu corpo,
sou passeio polido,
chão de madeira afagada,
para os teus pés descalços,
sou colo onde te deitas
para dormir debruçada.
.
Sou continente,
tu és mundo,
sou sistema solar,
és universo,
sou arco-íris
és tela
onde ele está pintado.

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Lábios humedecidos
íntimo da tua pele
como pena leve ao vento,
uma leve brisa da minha boca
em sopros quase imperceptíveis
para arrepios infinitos.
.
Traços de carvão,
pirâmides de mistério,
como um furacão
no outro hemisfério.
E um beijo.
.
Que eu ouço a tua voz,
sinto o teu paladar,
cheiro a tua essência,
tacteio o teu mundo
e vejo o teu olhar.
.
Fecha os olhos
e dá-me a tua mão...
podes confiar-me a vida,
se achares
que a podes estar a perder!
Porque para ficares com ela,
dava-te o meu coração
num beijo
para conseguires viver!
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